segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Michelângelo Antonioni (1912-2007)



Depois de vária tentativas, finalmente consegui ir na Maratona do Odeon. Trata-se de uma maratona de filmes, que se inicia por volta das 23:30h e vai até às 06:30h, no cine Odeon no centro do Rio. O filme que abriu a maratona foi Profissão Repóter (Professione: Reporter, 1975), de Michelângelo Antonioni, e para mim, só ele valeu a noite! O outro filme de Antonioni que eu tinha visto foi Blow Up (idem, 1966), que sempre rendeu variadas análises de vários críticos e estudiosos de cinema. Mas, com “Profissão Repórter” pude realmente entender a grandeza deste cineasta, pois o filme faz uso de recursos narrativos inteligentes que nos faz admirar ainda mais a arte cinematográfica. Sem falar na clássica cena final do filme em um plano sequência que a câmera atravessa por entre as grades de uma janela.

Com a perda de Antonioni, e também de outro grande diretor de cinema, Ingmar Bergman, que por coincidência faleceu no mesmo dia que Antonioni, pode-se dizer que a morte de ambos cineastas, significa a morte também de uma certa forma de se fazer cinema. Forma essa pautada pela ousadia, sensibilidade e genialidade de temas e de linguagem cinematográfica. O mais engraçado deste dia da maratona foi que o filme exibido após “Profissão Repórter”, foi um desses besteiróis de suspense americano. Não sei se tal escolha foi aleatória ou intencional, mas acontece um confronto de narrativas entre um filme e outro. Me provocou até raiva estar vendo um filme daqueles. A previsibilidade das cenas, os diálogos, enfim, tudo me pareceu tão tolo e imbecil que a minha vontade era ir embora do cinema. Não sei, mas acho que o cinema é uma arte tão grandiosa que considero um verdadeiro atentado se fazer um filme com tão poucos recursos de linguagem. Parafraseando o personagem de Matheus Nachtergaele em Baixio das Bestas (2007), de Cláudio Assis: “Sabe o que é o bom do cinema? É que no cinema a gente pode fazer tudo!” E isso é verdade. Existe tanta coisa para se fazer dentro de uma narrativa cinematográfica, que não consigo entender porque alguns filmes se limitam a tão pouco.

Enfim, realmente só me resta lamentar que uma geração de cineastas tão geniais esteja se acabando, mas o que não me faz ficar tão triste é o fato de que existem aqueles que continuam ousando, na tentativa de encontrar e descobrir as mais variadas formas de se fazer cinema. E que venham... Almodóvar, Lars Von Trier, Gaspar Noé, David Ficher, Michael Haneke...