sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura


Finalmente consegui ir ao Claro Cine, que antes era o Vivo Open Air. Uma tela de cinema de 286 metros de altura exibe vários filmes, de vários estilos. Porém a agradável surpresa dessa última edição foi a produção brasileira de 1967, Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura. Com direção de Roberto Farias, o filme mostra o nosso querido Rei em várias situações de aventura. Ele pilota um carro em alta velocidade, foge de bandidos, pilota avião e helicóptero. E por falar em helicóptero, essa cena é simplesmente de tirar o fôlego. O verdadeiro piloto que fez a cena merece todos os créditos. O helicóptero passa por dentro do Túnel do Pasmado! É realmente incrível de se ver! Sem falar na maravilhosa paisagem de um Rio visto de cima, em pleno anos 60. É uma viagem total!!
Além disso, o filme inova em sua linguagem também. Ele é metalinguístico, o que lembra, em alguns momentos, o estilo do roteirista Charlie Kaufman, com essa questão da ficção se auto-questionar. Roberto Farias dirige de uma forma habilidosa e inovadora essa divertidíssima produção que conta com figurino de Minelli, atuações de José Lewgoy e Reginaldo Farias, além das maravilhosas canções do Rei, é claro!! O roteiro também é uma brasa, mora?! Os diálogos são ótimos!

Ai, ai, realmente tempos muito bons, tanto do cinema brasileiro quanto das músicas! E para complementar este evento, no final da exibição do filme rolou o show de “Lafayete e os Tremendões”, que é uma galera nova (como Gabriel Tomaz, do Autoramas e Érika Martins, do extinto grupo Penélope) que se uniram com o tecladista Lafayete, que tocou com o próprio Rei. Juntos eles fazem uma releitura das músicas de Roberto. Enfim, um programa muito bacana que valeu a pena de se ver e ouvir.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vicky Cristina Barcelona


Particularmente aprecio os filmes de Woody Allen em que ele se faz presente apenas como diretor e não como ator. Considero que sua obra fica mais interessante sem que ele próprio se inclua em suas histórias. Sendo assim, Vicky Cristina Barcelona se enquadra nesse perfil que traço. Além disso, o filme tem um tom quase que “almodovariano”. Não sei se pelo fato da história se passar na Espanha, ou por ter atores como Javier Barden e Penélope Cruz, enfim, em alguns momentos pensamos estar vendo um filme de Almodóvar, não fosse as interferências da voz de um narrador, que aí acaba nos puxando e lembrando que estamos vendo Woody Allen.

Além dos dois atores espanhóis, o filme é protagonizado também pela Scarlett Johansson, que pelo visto virou a mais nova queridinha de Woody, já que ela estrelou três de suas produções (as duas anteriores foram Match Point, de 2005 e Scoop, de 2006). Johansson é a Cristina do título do filme. Ela e sua melhor amiga, Vicky, decidem passar um tempo na Espanha, cada uma com os seus motivos. Enquanto Vicky está indo para desenvolver sua tese de mestrado sobre a cultura catalã, Cristina está em busca de algo que ainda não descobriu o que é. As duas acabam conhecendo Juan Antônio (Javier Barden), que deixa suas intenções bem claras logo que conhece as amigas. Penélope Cruz aparece quase depois da metade do filme, como a ex-mulher de Juan Antônio, porém seu pouco tempo na tela é totalmente superado pela sua excelente atuação.

O tema do filme continua sendo o preferido de Woody, e que ele vem abordando durante toda a sua carreira como diretor, ou seja, o vasto e complexo universo do casamento e tudo que ele engloba, seja antes, durante e depois. E nesse filme é possível comprovar que Woody vem se mantendo atual e interado desse assunto, que mesmo com o passar dos anos continua sendo uma constante na obra do diretor.

domingo, 5 de outubro de 2008

Diário do Festival do Rio 2008 (parte 2)


O cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf, que dirigiu filmes como, o interessante, “Salve o Cinema” (Salaam Cinema, 1995), tem duas filhas que resolveram seguir a mesma carreira do pai. Samira e Hanna Makhmalbaf. Samira já havia estreado nas telas, aos 18 anos de idade, com o filme “A Maçã” (Sib, 1998). E agora a sua irmã, Hana, com apenas 14 anos, se faz presente no Festival do Rio 2008 com E Buda Desabou de Vergonha (Buda Az Sharm Foru Rikht , 2007). Trata-se de um filme puro nas imagens, na narrativa e na sua história, e por isso revela um específico complexo contexto de vida. Assim, como outros filmes de diretores iranianos, ele possui um certo tom de documentário, e talvez o seja, afinal a realidade, muitas vezes, se confunde com uma ficção.



Falando em filhas de cineastas, Jennifer Lynch, filha de David Lynch, está de volta! Depois do bizarro “Encaixotando Helena” (Boxing Helena, ano), ela surpreende mais uma vez com Sob Controle (Surveillance, 2008). Estrelado por Julia Ormond e Bill Pullman, o filme, além de ter uma trama envolvente, também possui um humor cínico e uma narrativa inteligente. A herança do estilo Lynch está garantida com Jennifer, que parece ser uma promessa de interessantes novas produções que ainda estão por vir.


E Selton Mello estréia na direção do seu primeiro longa com Feliz Natal (2008). Na exibição do filme no Festival ele até se emocionou, afinal fazer um filme é um trabalho extremamente árduo, e por isso vê-lo pronto na tela, realmente deve ser gratificante. Além de dirigir, Selton também está presente no roteiro, e isso fica evidente através dos diálogos dos personagens. Percebe-se aquele estilo de fala que parece um improviso, coisa que ele mesmo tanto faz uso nos filmes em que atua, fornecendo assim um tom de naturalidade aos atores. Darlene Glória está ótima como a matriarca de um família cheia de problemas e conflitos. Mas, o importante no filme de Selton não é nem tanto a história em si, mas sim como ela está sendo contada. Para os cinéfilos de plantão é possível notar algumas referências (ou influências) de linguagem cinematográfica que vão de Godard a Lars Von Trier, coisa típica de quem, assim como Selton, ama o cinema.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Diário do Festival do Rio 2008


Madonna abre a minha seleção de filmes do festival. Isso mesmo, Madonna estréia na direção com Sujos e Sábios (Filth and Wisdom, 2008), que narra a história de pessoas que, apesar dos problemas do dia-a-dia, tentam levar a vida da melhor forma possível. O protagonista, e também a trilha do filme, fica por conta do cantor cigano ucraniano Eugene Hutz, vocalista da banda "Gogol Bordello", que já é uma figura por si só e que, inclusive, irá se apresentar no TIM Festival desse ano. É claro que, em alguns momentos ouvimos músicas da própria diretora, mas o ponto alto do filme é uma referência a Britney Spears. Até que a rainha do pop consegue surpreender com a sua estréia na direção, com uma narrativa interessante e cômica. Vale a pena conferir!

Charlie Kaufman é o roteirista dos filmes “Quero Ser John Malkovich”, “Adaptação” e “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. E agora ele não só roteirizou, como dirigiu a sua mais nova “viagem”, Sinédoque Nova Iorque (Synecdoche, New York, 2008). Assim como em “Adaptação”, Kaufman brinca mais uma vez com a ficção dentro da ficção. O elenco do filme é encabeçado pelo excelente Philip Seymour Hoffman, que contracena com atrizes como Catherine Keener, Samantha Morton e Jennifer Jason Leigh. E a história se desenrola através dos conflitos externos e internos do diretor teatral Caden Cotard, que acaba levando para o teatro toda a sua vida em um projeto grandioso e sem fim. Só vendo para entender, ou melhor, se confundir ainda mais!

Ah! Os irmãos Coen e suas histórias maravilhosas!! Depois de ganharem o Oscar de Melhor Filme por “Onde os Fracos Não Têm Vez”, eles nos deliciam com Queime Depois de Ler (Burn After Reading, 2008), que é uma fabulosa trama sobre aquilo que pode ser, não é, mas pode acabar sendo, dependendo do ponto de vista de cada um. Deu pra entender? O que importa é que os irmãos Coen conseguem sempre extrair uma ótima atuação cômica dos atores, sem fazer com que soem caricatos. Brad Pitt, por exemplo, está sensacional como um personal trainer imbecil que trabalha numa academia. Sem falar nas atuações, também maravilhosas de George Clooney e Francis McDormand. Enfim, é diversão inteligente e garantida, típica de uma produção assinada pelos irmãos cineastas
!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Linha de Passe (2008)


Dizem que uma das características dos bons diretores de cinema é que eles sempre fazem os mesmos filmes, ou seja, abordam sempre os mesmos temas. O espanhol Pedro Almodóvar adora mergulhar no universo feminino, o, também espanhol, Luis Buñuel gostava de criticar a sociedade burguesa, e já o sueco Ingmar Bergman se aprofundou na complexidade do próprio ser humano. O diretor brasileiro Walter Salles traz, como um tema latente para as telas, a questão do abandono. Em Terra Estrangeira (1995), vemos a história de alguns brasileiros que abandonaram o país, em busca de uma vida melhor, em plena crise do governo Collor. Em Central do Brasil (1998), o menino Josué, que estava em busca do pai, se encontra ainda mais abandonado após a morte da mãe. Abril Despedaçado (2001), que considero sua maior obra-prima, o personagem de Rodrigo Santoro tem o desejo de abandonar a vida que leva. Até mesmo a refilmagem do original japonês, Água Negra (Dark Water, 2005), feita nos EUA, também vemos uma mulher que vive com um trauma de ter sido abandonada pela mãe. Enfim, nos outros filmes dirigidos por Walter o mesmo tema se repete.



Em Linha de Passe (2008), nos deparamos com uma família simples vivendo na cidade de São Paulo. Cleusa é mãe de quatro filhos homens e está grávida de mais um. Os três irmãos mais velhos são frutos do mesmo pai, porém o mais novo é de um outro relacionamento. E de todos, é ele quem se sente mais abandonado pelo pai ausente. Não ficamos sabendo o que aconteceu com esses homens. Se morreram, ou se simplesmente foram embora. O foco está centrado na Cleusa. Ela é quem é a figura forte e importante desse núcleo familiar. A história de cada um deles nos é mostrada de forma equilibrada e muito bem costurada. Denis, o irmão mais velho, é motoboy. Dinho se converteu a igreja evangélica e trabalha num posto de gasolina. Dario sonha em ser jogador de futebol. E Reginaldo, o mais novo, tenta descobrir quem é seu pai.


Nesse filme, o tema pertinente de Walter, que é o abandono, não está no núcleo da família em si. Pelo contrário, a mãe Cleusa faz com que seus filhos não se sintam assim. Eles sabem que ela estará sempre presente. Porém, o sentimento de abandono está em relação ao contexto sócio-econômico como um todo. Assim como essa família, outras também estão esquecidas e vivem à margem, não só da sociedade, mas também à margem de suas questões pessoais, éticas e de caráter. As pessoas estão por aí, espalhadas nas cidades, tentando sobreviver, e viver, dentro do possível. Estão passando a bola uma para outra, às vezes tem aquele que é fominha e que não quer passar logo, ou quando joga, ela vai muito longe, e parece que não se vai conseguir pegá-la, mas o esforço se faz presente e ela é alcançada, fazendo assim com que não caia. Enfim, o importante é continuar tentando e sair ileso da Linha de Passe.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon, 2007)



Em 1964, Marshall MacLuhan escreveu o intrigante livro “Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem”. E no filme de Julian Schnabel (Antes do Anoitecer e Basquiat), pode-se dizer que é um dos exemplos mais concretos da teoria de MacLuhan. O olhar da câmera se traduz como o olhar do personagem. Dessa forma, nós, os espectadores, somos transportados para o corpo e mente de Jean-Dominique Bauby, redator-chefe da revista francesa Elle. Vítima de um derrame cerebral, ele adquire a Síndrome Locked-in (ou Síndrome do Encarceramento), que o deixa completamente lúcido, porém totalmente paralisado, conseguindo mexer somente um olho.

O recurso cinematográfico chamado de lente subjetiva é levado ao extremo por Schnabel. Os primeiros minutos do filme são inteiramente do ponto de vista de Bauby. Somente após compreendermos, juntamente com o personagem principal, o que está se passando, é que a lente da câmera finalmente revela a figura que até então não havíamos visto. Porém, mesmo com a câmera assumindo uma visão objetiva do filme, o diretor sempre retoma o ponto de vista do personagem, seja através do posicionamento da câmera, ou através de seus pensamentos e imagens que se traduzem como sua imaginação. Inclusive, em alguns momentos, tem-se a impressão de que a lente subjetiva passa a ser realmente a do olhar do espectador, pois o movimento da câmera se faz semelhante ao movimento do olhar de Bauby. Tudo isso funcionou muito bem para o contexto da história, tanto que rendeu a Schnabel a Palma de Ouro em Cannes de Melhor Diretor (2007).



O filme é baseado no livro de mesmo nome “escrito” pelo próprio Bauby, que veio a falecer dez dias depois de seu lançamento, em 1997. Quem assina o roteiro é Ronald Harwood, que dessa vez parece acertar, depois do fiasco da adaptação também feita por ele de O Amor nos Tempos do Cólera. Já Schnabel, além de diretor também é um artista que possui seus quadros expostos em diversos museus pelo mundo. Inclusive é de sua autoria a capa do disco By The Way do Red Hot Chilli Peppers.

O Escafandro e a Borboleta
é uma produção que consegue fazer com que os espectadores tenham uma experiência quase que sensitiva em relação ao personagem principal, pois a lente subjetiva se confunde com o nosso olhar, ou seja, nos tornamos o Bauby.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Control (idem, 2007)



Em 1977 uma banda inglesa, mais especificamente de Manchester, apresentava uma nova sonoridade para o mercado musical. Entre David Bowie e Sex Pistols, surgia o Joy Division. Uma banda que destoava entre as outras por apresentar letras sensíveis e profundas sobre os conflitos internos do ser humano. E o responsável pela composição dessas músicas era o vocalista Ian Curtis. O diretor e fotógrafo holandês Anton Corbijn (http://www.corbijn.co.uk/) dirige seu primeiro longa que não poderia ser sobre outra coisa senão a banda que ele conheceu e admirava tanto. Anton é conhecido pelo seu trabalho como fotógrafo no meio musical, que inclui capas de revistas e CD’s de bandas como U2, REM, Depeche Mode, entre outros.

Control é um filme biográfico que possui um tom de respeito pela figura ali exposta. Isso se deve ao fato de seu diretor ter uma profunda admiração por Ian e pelo seu trabalho junto ao Joy Division. O tom do filme é propositalmente um pouco superficial no que se refere aos conflitos mais íntimos do personagem principal. O diretor opta em fazer com que a dramaticidade aconteça através da fotografia, tonalizada em preto e branco, transformando a composição das imagens não só como o pano de fundo da história, mas quase que como uma forma de narrativa paralela. Devido a sua profissão como fotógrafo e a sua relação com a banda, isso pode ter acontecido de forma até inconsciente para Anton. Inconsciente ou não, é perceptível que o filme reverencia Ian e toda sua complexidade como ser humano.

O filme ganha também com a atuação de Sam Riley, cuja semelhança física com Ian é surpreendente. Além do fato de que a banda e o ator realmente cantam, e não dublam, as músicas do Joy Division. Deborah Curtis, esposa do Ian, é vivida por Samantha Morton, e é no livro dela que é baseado o filme de Anton. Uma outra produção vem acompanhando Control, trata-se do documentário Joy Division, do diretor Grant Gee, em que o próprio Anton aparece como um dos entrevistados. Ou seja, para os fãs da banda, ou para aqueles que gostam de uma boa música, essa é uma ótima oportunidade de relembrar, ou conhecer um pouco mais a fundo a história de uma banda que inovou o meio musical e influenciou tantas outras bandas inglesas que surgiram posteriormente.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Juízo (2008)


A diretora Maria Augusta Ramos volta a temática sobre a justiça brasileira em seu segundo longa-metragem, Juízo. O documentário mostra o funcionamento da justiça em relação a jovens com menos de 18 anos. O foco do filme é um tanto delicado, já que a lei brasileira proíbe o uso da imagem de menores infratores. A solução encontrada pela diretora foi de usar jovens atores de comunidades carentes para interpretarem os casos reais mostrados no filme. Todos os demais personagens, como juízes, promotores, familiares e outros, são realmente eles mesmos.

Assim como no seu primeiro longa, Justiça (2004), Maria Augusta mantém a câmera estática, quase que como um olhar neutro dos acontecimentos narrados dentro da sala de audiência. A montagem nos permite ver a reação dos jovens ao ouvirem suas sentenças. Apesar, destes serem atores, é possível percebermos uma certa identificação com os personagens reais. A escolha por jovens atores de comunidades carentes se deve justamente ao fato de que a realidade interpretada por eles não lhes é tão distante do que também vivenciam.

O curioso de Juízo é que apesar de tratar de casos de furtos, tráfico de drogas e até homicídio, ele não é um filme pesado. Talvez isso se deva graças a Juíza Luciana Fiala, que conduz as audiências com uma postura quase que como uma mãe extremamente aborrecida com os seus “filhos” desobedientes. Porém, o tom cômico dado por ela ao filme, de forma alguma debocha das situações ali narradas. Pelo contrário, enfatiza ainda mais que os motivos dos crimes realizados por aqueles jovens, muitas vezes, são banais e podiam ser evitados caso alguém lhes “puxassem a orelha”.

O que fica claro, tanto em Justiça, quanto em Juízo é a distância que existe entre aqueles que formulam as leis e a prática delas no contexto real. E isso abrange não só a interpretação dessas leis em si, mas os protocolos a serem seguidos, os trajes usados, e principalmente, a linguagem empregada para lidar com esses infratores. No caso dos jovens, isso fica ainda mais evidente. Tanto que em um dos casos retratados no filme, o menor fugiu da instituição um dia antes de ser solto. Tudo porque ele não sabia que o termo empregado pelo juiz significava justamente que ele estaria livre. Isso só comprova que, não só a justiça, mas o Poder Público em geral, precisa entender que toda a papelada, a burocracia e os códigos administrativos são criados para lidar com pessoas, sejam elas iletradas ou não, que não pertencem ao mesmo nicho linguístico desses poderes
.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O Caçador de Pipas (2007, The Kite Runner)



Amor, honestidade, fidelidade e redenção, esses são alguns dos temas abordados em O Caçador de Pipas. Mas, como conseguir falar de tais temas sem ser piegas? A resposta está sob forma de uma bela história entre duas crianças afegãs.

O filme, que seria inicialmente dirigido por Sam Mendes (de Beleza Americana), inclusive é o que vem escrito na orelha do livro de Khaled Housseini, passou para as mãos do diretor Marc Forster (de A Última Ceia e A Passagem). É aquela velha história: “o livro é sempre infinitamente melhor do que o filme”, porém no caso de O Caçador de Pipas, o filme consegue dar o recado sem ser tão melodramático quanto o livro. Por exemplo, a cena em que Sohrab tenta suicídio nos foi poupada no filme.

Para quem leu o livro, é inevitável comparar com o filme, porém recomendo o exercício de se desligar dos detalhamentos do livro e enxergar somente na história que está se passando na tela. É um pouco difícil, mas se consegue chegar a conclusão de que é um belo filme com uma bela história de lição de vida.

Além disso, é preciso pensar que este é um importante filme para mudar um pouco a visão dos americanos em relação a população do Afeganistão. Depois do 11 de setembro, muitos devem achar que todos que vivem ali são iguais a Osama Bin Laden. E o filme também mostra um pouco do lado histórico do país, que sofre com a invasão russa em 1979 e mais tarde com a invasão do Talibã.

A história gira em torno da amizade entre Amir, filho do patrão, e Hassan, filho do empregado. Porém, um acontecimento trágico faz com que Amir não queira mais ser amigo de Hassan. E isso o faz crescer com essa pesada culpa dentro dele, até o momento em que se torna possível ele se redimir de suas atitudes, ou da falta delas, no passado. Talvez o que tenha faltado um pouco no filme, foi justamente essa culpa que Amir carrega no decorrer dos anos. No livro, isso é algo constantemente perturbador na sua vida. Afinal, quando não resolvemos certas questões pessoais, como diz o Baba de Amir: “o tempo pode piorar tudo!”


Filmes citados:
Beleza Americana (1999, American Beauty). Direção de Sam Mendes
A Última Ceia (2001, Monster's Ball). Direção de Marc Forster
A Passagem (2005, Stay). Direção de Marc Forster