quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon, 2007)



Em 1964, Marshall MacLuhan escreveu o intrigante livro “Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem”. E no filme de Julian Schnabel (Antes do Anoitecer e Basquiat), pode-se dizer que é um dos exemplos mais concretos da teoria de MacLuhan. O olhar da câmera se traduz como o olhar do personagem. Dessa forma, nós, os espectadores, somos transportados para o corpo e mente de Jean-Dominique Bauby, redator-chefe da revista francesa Elle. Vítima de um derrame cerebral, ele adquire a Síndrome Locked-in (ou Síndrome do Encarceramento), que o deixa completamente lúcido, porém totalmente paralisado, conseguindo mexer somente um olho.

O recurso cinematográfico chamado de lente subjetiva é levado ao extremo por Schnabel. Os primeiros minutos do filme são inteiramente do ponto de vista de Bauby. Somente após compreendermos, juntamente com o personagem principal, o que está se passando, é que a lente da câmera finalmente revela a figura que até então não havíamos visto. Porém, mesmo com a câmera assumindo uma visão objetiva do filme, o diretor sempre retoma o ponto de vista do personagem, seja através do posicionamento da câmera, ou através de seus pensamentos e imagens que se traduzem como sua imaginação. Inclusive, em alguns momentos, tem-se a impressão de que a lente subjetiva passa a ser realmente a do olhar do espectador, pois o movimento da câmera se faz semelhante ao movimento do olhar de Bauby. Tudo isso funcionou muito bem para o contexto da história, tanto que rendeu a Schnabel a Palma de Ouro em Cannes de Melhor Diretor (2007).



O filme é baseado no livro de mesmo nome “escrito” pelo próprio Bauby, que veio a falecer dez dias depois de seu lançamento, em 1997. Quem assina o roteiro é Ronald Harwood, que dessa vez parece acertar, depois do fiasco da adaptação também feita por ele de O Amor nos Tempos do Cólera. Já Schnabel, além de diretor também é um artista que possui seus quadros expostos em diversos museus pelo mundo. Inclusive é de sua autoria a capa do disco By The Way do Red Hot Chilli Peppers.

O Escafandro e a Borboleta
é uma produção que consegue fazer com que os espectadores tenham uma experiência quase que sensitiva em relação ao personagem principal, pois a lente subjetiva se confunde com o nosso olhar, ou seja, nos tornamos o Bauby.