domingo, 5 de outubro de 2008

Diário do Festival do Rio 2008 (parte 2)


O cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf, que dirigiu filmes como, o interessante, “Salve o Cinema” (Salaam Cinema, 1995), tem duas filhas que resolveram seguir a mesma carreira do pai. Samira e Hanna Makhmalbaf. Samira já havia estreado nas telas, aos 18 anos de idade, com o filme “A Maçã” (Sib, 1998). E agora a sua irmã, Hana, com apenas 14 anos, se faz presente no Festival do Rio 2008 com E Buda Desabou de Vergonha (Buda Az Sharm Foru Rikht , 2007). Trata-se de um filme puro nas imagens, na narrativa e na sua história, e por isso revela um específico complexo contexto de vida. Assim, como outros filmes de diretores iranianos, ele possui um certo tom de documentário, e talvez o seja, afinal a realidade, muitas vezes, se confunde com uma ficção.



Falando em filhas de cineastas, Jennifer Lynch, filha de David Lynch, está de volta! Depois do bizarro “Encaixotando Helena” (Boxing Helena, ano), ela surpreende mais uma vez com Sob Controle (Surveillance, 2008). Estrelado por Julia Ormond e Bill Pullman, o filme, além de ter uma trama envolvente, também possui um humor cínico e uma narrativa inteligente. A herança do estilo Lynch está garantida com Jennifer, que parece ser uma promessa de interessantes novas produções que ainda estão por vir.


E Selton Mello estréia na direção do seu primeiro longa com Feliz Natal (2008). Na exibição do filme no Festival ele até se emocionou, afinal fazer um filme é um trabalho extremamente árduo, e por isso vê-lo pronto na tela, realmente deve ser gratificante. Além de dirigir, Selton também está presente no roteiro, e isso fica evidente através dos diálogos dos personagens. Percebe-se aquele estilo de fala que parece um improviso, coisa que ele mesmo tanto faz uso nos filmes em que atua, fornecendo assim um tom de naturalidade aos atores. Darlene Glória está ótima como a matriarca de um família cheia de problemas e conflitos. Mas, o importante no filme de Selton não é nem tanto a história em si, mas sim como ela está sendo contada. Para os cinéfilos de plantão é possível notar algumas referências (ou influências) de linguagem cinematográfica que vão de Godard a Lars Von Trier, coisa típica de quem, assim como Selton, ama o cinema.