quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vicky Cristina Barcelona


Particularmente aprecio os filmes de Woody Allen em que ele se faz presente apenas como diretor e não como ator. Considero que sua obra fica mais interessante sem que ele próprio se inclua em suas histórias. Sendo assim, Vicky Cristina Barcelona se enquadra nesse perfil que traço. Além disso, o filme tem um tom quase que “almodovariano”. Não sei se pelo fato da história se passar na Espanha, ou por ter atores como Javier Barden e Penélope Cruz, enfim, em alguns momentos pensamos estar vendo um filme de Almodóvar, não fosse as interferências da voz de um narrador, que aí acaba nos puxando e lembrando que estamos vendo Woody Allen.

Além dos dois atores espanhóis, o filme é protagonizado também pela Scarlett Johansson, que pelo visto virou a mais nova queridinha de Woody, já que ela estrelou três de suas produções (as duas anteriores foram Match Point, de 2005 e Scoop, de 2006). Johansson é a Cristina do título do filme. Ela e sua melhor amiga, Vicky, decidem passar um tempo na Espanha, cada uma com os seus motivos. Enquanto Vicky está indo para desenvolver sua tese de mestrado sobre a cultura catalã, Cristina está em busca de algo que ainda não descobriu o que é. As duas acabam conhecendo Juan Antônio (Javier Barden), que deixa suas intenções bem claras logo que conhece as amigas. Penélope Cruz aparece quase depois da metade do filme, como a ex-mulher de Juan Antônio, porém seu pouco tempo na tela é totalmente superado pela sua excelente atuação.

O tema do filme continua sendo o preferido de Woody, e que ele vem abordando durante toda a sua carreira como diretor, ou seja, o vasto e complexo universo do casamento e tudo que ele engloba, seja antes, durante e depois. E nesse filme é possível comprovar que Woody vem se mantendo atual e interado desse assunto, que mesmo com o passar dos anos continua sendo uma constante na obra do diretor.