quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button



Fascinante! Essa é a melhor palavra para definir essa obra prima dirigida por David Fincher, que aliás vem se destacando cada vez mais, tanto pelo seu perfeccionismo nas imagens filmadas, como pelas temáticas interessantes de suas produções. Basta relembrarmos rapidamente da sua filmografia: Alien 3 (1992), Seven (1995), Vidas em Jogo (1997), Clube da Luta (1999), Quarto do Pânico (2001) e Zodíaco (2007).

No início do filme conta-se a história de um relojoeiro que perdeu seu filho na guerra e constrói um relógio que anda para trás. Em seu discurso, ele diz que fez o relógio dessa maneira para que fosse possível voltarmos no tempo e fazer com que os pais, que perderam seus filhos na guerra, os tivessem de volta. Essa breve história funciona como uma espécie de prefácio e de gancho para a história que está por vir. Baseado num conto de F. Scott Fitzgerald, o filme narra a saga de Benjamin, um neném que nasceu com a idade de um velho e que com o passar dos anos vai rejuvenescendo.

Brad Pitt interpreta de maneira sutil e serena um personagem muito especial, um menino num corpo de um velhinho. E não é isso que dizem, que quando envelhecemos voltamos a ser criança? No caso de Benjamin isso foi realmente levado a sério, tanto que sua melhor amiga e futura amante é Daisy, que ele conhece quando ela ainda era uma criança, assim como ele. Porém, a amizade dos dois é difícil de ser compreendida pelas pessoas, já que por fora Benjamin aparenta um senhor de idade avançada. Mas, como o tempo de Daisy está indo para frente e o de Benjamin para trás, então previmos que eles se encontrarão no meio do caminho, no meio das suas vidas, no momento certo. Enquanto isso Benjamin vai vivenciando aventuras e experiências que lhes acrescentam quanto um jovem velho ser humano.

Durante mais de duas horas de projeção, o filme não se mostra arrastado e nem cansativo. Pelo contrário, tem um ritmo apropriado para que fiquemos completamente hipnotizados e fascinados por essa delicada e emocionante fábula que fala sobre o amor, o tempo e a vida como uma experiência única de cada um de nós. O final do filme faz com que questionemos a lógica cronológica das nossas vidas, afinal os seres humanos são os únicos seres vivos que têm consciência da própria morte. Porém se o nosso ciclo de vida terminasse onde começamos, talvez fosse menos difícil lidarmos com a nossa própria partida.