sexta-feira, 17 de julho de 2009

3 MACACOS


O diretor turco Nuri Bilge Ceylan vem se destacando cada vez mais no Festival de Cannes. Em 2006, o seu filme Climas (Iklimler, 2006) ganhou como o Melhor Filme Pela Crítica Internacional. E em 2008, ele venceu o prêmio de Melhor Direção com 3 Macacos (Üç Maymun, 2008).

A história começa com um atropelamento, seguido de um pedido do autor do acidente, que no caso é um político em plena campanha eleitoral, para que o seu motorista assuma a culpa e vá preso em seu lugar. Em troca ele receberá um bom dinheiro quando sair da prisão.

Os personagens dessa história nos são apresentados de forma bem sutil. O ambiente e o clima do filme ganham um tom interessante graças aos planos, que são todos parados e longos, funcionando como uma premissa das situações que se mostram logo em seguida. A ausência de trilha sonora, faz com que os sons também se tornem uma importante peça para a narrativa. Seja o trovão que inicia e termina o filme, ou o barulho do trem que passa ao lado da casa em que eles moram. É um filme que possui vários elementos ocultos e metafóricos que permeiam as entrelinhas da história, além de várias sacadas geniais, como uma cena de elipse utilizada durante o diálogo que se passa no carro, entre o político e esposa do motorista.

O título do filme é mais uma surpresa à parte, pois faz referência a famosa imagem dos três macacos, sendo um tapando os ouvidos, outro tapando a boca e o último tapando os olhos. Trata-se do provérbio japonês: não ouça, não fale e não veja o mal. E esses três macacos são justamente a família do motorista, que nunca conversam sobre os problemas que se passam entre eles. Os dramas e angústias dos personagens não acontecem através de palavras, porém são exemplarmente expressadas graças a uma excelente direção de Ceylan que realmente faz jus ao prêmio recebido em Cannes e nos presenteou com uma verdadeira aula de cinema.