domingo, 23 de agosto de 2009

Bruno



A linha de humor seguida pelo ator inglês Sacha Baron Cohen é a do estilo ácido, bem ácido. E isso os espectadores, de uma forma geral, já estão acostumados. Nos EUA essa linha de humor possui vários adeptos, como Whoopi Goldberg, Chris Rock e Sarah Silverman. Todos eles não têm papas na língua e alfinetam tudo e todos com um humor extremamente agressivo e hilariantemente perturbador. Porém, Sacha vai além. Podemos dizer que além da acidez, o seu humor é kamikaze! Ele realmente joga os seus personagens em situações que ultrapassam os limites do possível. Isso aconteceu com Borat (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, 2006) e se repete com Bruno.


Assim como Borat, Bruno também é um repórter, porém do mundo da moda. Ele é gay, austríaco e trabalha para um programa de TV chamado Funkyzeit. Outro fato em comum com Borat, é que ambos personagens são de países não muito populares (Cazaquistão e Áustria) e que decidem ir para os EUA para tentarem alcançar algum tipo de sucesso em suas missões. Bruno é demitido após se envolver em vários pequenos incidentes. Assim resolve ir para os EUA para se tornar uma verdadeira celebridade. A partir daí começa a se desencadear uma série de situações tanto inacreditavelmente hilárias quanto chocantemente bizarras.


O estilo de filmagem é do tipo documentário. Algumas cenas são armadas e outras não, como a entrevista dele com um terrorista. Armadas ou não, o que importa é que ele acaba mostrando, e de uma forma sarcasticamente crítica, que as suas bizarrices estão em páreo com o que realmente existe nos EUA. Ou existe algo mais bizarro do que uma mãe aceitar a possibilidade de seu filho pequeno fazer uma lipoaspiração para aparecer numa foto. Sem falar em uma empresa que presta consultoria sobre caridade, ou seja, o que está "in" ou "out" em termos de ajuda solidária ou doações a países subdesenvolvidos. Dessa forma, só resta a Bruno realmente apelar para o estilo maior de ironia e sarcasmo para encarar coisas que parecem brincadeira, porém na verdade não são. Algumas vezes a comédia é a única saída para se tratar assuntos seriamente preocupantes, principalmente no mundo em que vivemos hoje que é regido pelo cinismo, demagogia e hipocrisia. Palmas para Bruno e vamos rir da nossa hilária trágica realidade.