sábado, 10 de setembro de 2011

A Árvore da Vida



De todas as formas de arte, considero o cinema como aquela que melhor pode tentar responder algumas das grandes questões da vida, tais como: De onde viemos? Pra onde vamos? E quem somos? Alguns cineastas, que tiveram tal ousadia, conseguiram transformar essas profundas indagações em linguagem cinematográfica, usando técnicas seja de roteiro, de estética das imagens ou, e principalmente, de montagem.

Fui assitir A Árvore da Vida cheia de expectativas, esperando um grande filme, cujas técnicas acima citadas estivessem presentes de forma surpreendentes e inovadoras. No entanto, ao terminar o filme fiquei bastante decepcionada. Vencedor da Palma de Ouro no festival de Cannes desse ano, a produção, dirigida por Terrence Malick não conseguiu me convencer. O roteiro consegue até ser cativante, mas não se sustenta com uma montagem que parece se perder em si mesma. Talvez porque ela tenha sido feita por cinco montadores diferentes, incluindo um brasileiro, Daniel Rezende. Realmente até entendi a intenção do filme como um todo, mas não entendi a intenção da montagem. Quando vamos para a época, digamos, atual, em que Sean Penn está, parece que o filme vai nos dizer algo importante, mas, depois vemos que não há nenhum objetivo por trás desse tipo de montagem. Aquilo que parece se propor simbólico, fica óbvio demais e o que parece ser claro, se transforma apenas em um grande cliché.

Quanto a estética das imagens e os efeitos visuais, o filme é realmente de uma beleza singular, tanto que nos remete a 2001, de Kubrick e ao Melancholia, de Von Trier. Inclusive pode-se dizer que a Árvore de Malick seria o antônimo deste último de Lars Von Trier, que também estava concorrendo em Cannes nesse mesmo ano. Isso porque o filme de Malick tem uma visão ocidentalizadamente católica demais sobre a vida e quanto para Von Trier não existe sequer um Deus e nem salvação, seja para o mundo ou para as pessoas. Um outro filme que também pode ser completamente o oposto deste de Malick é Tio Boonmee, ironicamente vencedor da Palma de Ouro do ano anterior. Este sim, nos apresenta através de uma visão realmente inovadora, um olhar sobre a a vida e a morte de uma forma muito mais lírica e tranquila e não tão doída e sofrível.

Malick é um cara extremamente recluso. Não dá entrevistas e fez poucos filmes durante sua carreira. É preciso lhe dar algum crédito em relação a isso, principalmente por estar inserido na indústria hollywoodiana. Ele, principalmente após a morte de Kubrick, é um dos raros diretores que consegue fazer um cinema mais experimental e totalmente fora dos padrões das produções americanas. Tal ousadia merece aplausos e respeito. No entanto, a sua Árvore não conseguiu me persuadir. Quem sabe na sua próxima tentativa, seja possível colher melhores frutos.