quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Mommy


Xavier Dolan é um jovem cineasta canadense que vem ganhando cada vez mais notoriedade perante a crítica internacional. Com apenas 19 anos, o seu primeiro filme “Eu Matei Minha Mãe” (J'ai Tué Ma Mère, 2009) levou 3 prêmios na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, e ainda outros 22 internacionais em festivais pelo mundo afora.

Hoje, aos 25 anos, Dolan já tem um nome e um estilo próprio do seu jeito de fazer cinema. Além de se envolver no roteiro, figurino e atuar em algumas de suas produções, a trilha sonora também é uma marca constante nos seus filmes.

Em “Mommy” (idem, 2014), mais uma vez ele retoma a relação mãe e filho, porém agora, de uma maneira menos autobiográfica, como foi com sua primeira produção. Sendo assim, somos apresentados a Steve (Antoine-Olivier Pilon), um adolescente de 15 anos que, aparentemente, sofre de TDA (Transtorno de Déficit de Atenção). Sua mãe, que é vivida novamente pela atriz Anne Dorval, vai buscá-lo em um reformatório. Antes da sua saída, em um diálogo entre a diretora da instituição e um funcionário, já nos é antecipado o quanto é difícil lidar com Steve. Por se tratar de um personagem impulsivo e intenso em suas emoções, Dolan optou por uma ousadia estética ao exibir o filme em um formato de tela de celular, que funciona como uma metáfora para dizer o quanto claustrofóbicas são as sensações sentidas por Steve. Tal formato também já havia sido utilizado em uma produção brasileira, dirigida por Cao Guimarães e Marcelo Gomes, em O Homem das Multidões (2012), para retratar a solidão de seus personagens. 

A conturbada e divertida relação de Steve com a mãe ganha uma parceria a partir do momento em que a vizinha Kyla (Suzanne Clément) passa a interagir com os dois. Kyla também sofre de certo distúrbio emocional, pois apresenta dificuldade para falar. Juntos, eles formam uma família cativante, imperfeita e feliz. A excelente direção de Dolan deixa transparecer a veracidade existente entre a dinâmica dos atores em cena. 

Um pouco antes do final filme, Dolan presenteia nossos olhos e emoções ao surpreender com uma cena que considero uma das mais lindas já vistas numa sala de cinema. Isso porque ele associa o recurso técnico da estética da imagem adotada com o contexto emocional do personagem. Com essa cena Dolan deixa claro o quanto preza e respeita a exibição de um filme em uma tela de cinema, pois somente dentro dessa sala escura que determinadas mágicas são possíveis de acontecer.

DICA: No site Toca dos Cinéfilos é possível assistir online todos os filmes de Xavier Dolan.

2 comentários:

Amália disse...

Sensacional Lari!
Será que conseguiremos assistir por aqui!
Beijos,
Mary.

Allan disse...

Adorei a crítica...
Fiquei com mais vontade de ver :)